Artigos › 14/04/2021

Dízimo e comunidade

Dídimo é partilha

Caros irmãos e irmãs, antes de tudo espero que estejam bem, na medida do possível e se alimentado da Palavra e da Eucaristia, ainda que seja de forma espiritual.

Estamos ainda atravessando uma longa e difícil travessia, queremos crer que não vai demorar mais tanto tempo para sairmos dela e deixá-la para trás. Por enquanto, continuemos firmes e colocando tudo nas mãos de Deus.
Hoje gostaria de trazer um assunto para a reflexão de vocês, e mais precisamente , para os fiéis da Paróquia Santa Joana d”Arc, no Jardim França.
O assunto é o dízimo, algo já bem conhecido, mas que muitos cristãos e, especialmente muitos católicos, não dão muita atenção.
O dízimo é bíblico e cristão. Alguém que esteja lendo pode não se enquadrar nessas condições, já que alguém pode não se achar cristão e nem crer na Palavra, nesse caso, a reflexão não lhe cabe.
Sabemos que o primeiro dizimista foi Abraão, conforme nos fala as Sagradas Escrituras: ” E Abraão lhe deu o dízimo de tudo” (Gn 14,20). Abraão, pois, deu o dízimo ao rei Melquisedeque, como forma de gratidão. A nossa fé vem justamente de Abraão o pai na fé. Com isso, entendemos que o dízimo é sinônimo de fé. Além disso, o dízimo é sinal de comunhão e gratidão a Deus, porque aceitamos e compreendemos que tudo pertence a ele e não a nós. “Ao Senhor pertence a terra e tudo que nela existe”. (salmo 24,1).
Ser um dizimista é se tornar disponível para a partilha e para a solidariedade, permitindo que o nosso egoísmo seja quebrado. É, ainda, ter um coração sensível às necessidades do próximo e consagrar a Deus aquilo que tem e recebeu. Bem, alguém poderá dizer: ” Eu não tenho nada”. E eu lhe digo que você tem o maior dom que é a sua própria vida. Alguém poderá dizer: ” Eu não trabalho e não recebo nada mensalmente”. Ah, sim, nesse caso, realmente não tem como viver a dimensão da fé no dízimo. Mas pergunte ao seu coração se é verdade que você não recebe e não ganha nada mesmo o mês todo, ok? Isso é importante para a nossa reflexão.
Existem muitos textos na Bíblia falando sobre a importância do dízimo, eu citei apenas alguns. Tem outra passagem que diz: “Dê conforme seu coração” (2cor 9,7). Isso também é muito importante pra gente compreender melhor. Algum coração pode ter endurecido, petrificado por alguma situação e, dessa forma, não vai dar nada porque sequer acredita nessa dimensão da fé. Quando a Palavra fala que é para dar segundo o impulso do seu coração, subtende-se que esse coração já está evangelizado, consciente e sensível às realidades do céu.
Enfim, meu povo querido, o que quero dizer é que o dízimo é benção de Deus e ele deve fazer parte do nosso orçamento mensal. Quando partilhamos não nos falta nada, sabemos bem disso.
O dízimo é o que mantém as comunidades. Com ele as comunidades mantém os padres e, estes, devem estar a serviço delas atendendo os seus fiéis e alimentando-as com a Palavra e a Eucaristia diária. Com ele também, pagam-se os salários dos funcionários, os encargos sociais advindos deles, as demais contas como água, telefone, luz, internet, contas devidas mensalmente à diocese (a paróquia pertence à diocese), material litúrgico, utensílios usados para as celebrações, recursos audiovisuais para facilitar o acompanhamento das celebrações, manutenção do prédio, como pintura troca de uma coisa ou outra. Eu, particularmente, não suporto igreja largada e suja.
Entendo perfeitamente que os fiéis devem sim acompanhar o andamento da comunidade e verificar se algo de melhoria está sendo feito regularmente. Entendo que é um direito do fiel.
com o dízimo a comunidade ajuda no serviço da caridade com os pobres, nas vocações e tantas outras coisas.
Encerro agradecendo imensamente aos meus fiéis e ovelhas desse rebanho, por ajudar e se preocupar. Alguns me procuraram e me animaram a escrever algo sobre a realidade do dízimo, dada essa situação tão difícil que todos estamos passando. De fato, sem o esforço e dedicação de vocês, não tem como levar adiante a missão.
Deus guarde cada um de vocês na fé, no amor e na paz. Obrigado pela paciência de ler um texto tão grande.
Padre Toninho | Pároco
Paróquia Santa Joana d’Arc e Capela Cristo Rei

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